quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Atividade baseada em curta-metragem

    Essa atividade pode ser baseada em desenho, curta-metragem ou longa. E dependendo do que for escolhido, pode ser realizada com qualquer faixa etária: da criança ao idoso. O importante é escolher o programa e preparar diversas perguntinhas para serem feitas após o sujeito assisti-lo. 
 É um exercício que estimula diversas habilidades cognitivas, tais como: atenção, concentração, memória, controle inibitório (é a habilidade que nos permite controlar a impulsividade, pensamentos e memórias que nos tiram do foco, é o autocontrole), flexibilidade cognitiva (é a habilidade que permite mudar o foco atencional, adaptar-se a nova realidade, controlar a frustração, reorganizar os pensamentos e planejar novos caminhos mediante intercorrências), oralidade, linguagem, escrita, leitura, interpretação de texto, síntese, criatividade e imaginação. 
    Para esta atividade, eu escolhi o filme: Toy Story de Terror, disponível no Disney+, com duração de 21 minutos. 


    Logo, é possível realizar na sala de aula, em casa ou no consultório. 
    Segue a lista de perguntas que preparei para esta atividade:

1)   O que os bonecos estavam fazendo durante a viagem de carro?

2)   Em que parte do carro os bonecos estavam?

3)   Por que a Jesse tem medo de ficar fechada?

4)   Por que Boni e sua mãe tiveram que parar em um hotel de beira de estrada?

5)   Como era o nome do hotel?

6)   Qual era o número do quarto em que Boni e sua mãe ficaram no hotel?

7)   Os bonecos resolveram explorar o hotel. O que aconteceu?

8)   Qual foi o primeiro boneco a desaparecer?

9)   Por que os bonecos eram capturados?

10)  Quem roubava os bonecos?

11)   Quanto ofereceram pelo Woody, o boneco cowboy?

12)  O que a Jessie precisou fazer para salvar o Wood?

13)  O que a Jessie ficava repetindo para ela mesma enquanto ela estava dentro da caixa?

14)  Como os bonecos conseguiram escapar?

15)  O que aconteceu com o gerente no final do filme?

16)  Que mensagem podemos aprender com essa história?

17)  Que parte você mais gostou e por quê?

18)  Conte a história com suas palavras. 

19)  Mude o final da história:

            E se você tiver os bonecos, pode oferecer à criança para que ela os use para recontar a história, ou para dar novo final, ou até mesmo dar uma continuidade, enfim, são muitas possibilidades em uma única atividade. 

           Com os bonecos físicos, você também pode perguntar quais apareceram no filme e depois deixe que a criança brinque um pouco como reforçador pela atividade realizada. 

           


sábado, 15 de maio de 2021

Jogos na intervenção psicopedagógica

    Os jogos são excelentes ferramentas na intervenção psicopedagógica. O aprendente ao interagir com os jogos constrói sua aprendizagem, permitindo ao psicopedagogo estimular e desenvolver a parte cognitiva e psicomotora do seu aprendente e consequentemente a aquisição de novas habilidades e competências de uma forma lúdica e divertida.

    É importante que o atendimento psicopedagógico se diferencie da sala de aula, a fim de motivar o aprendente e dessa forma atingir o objetivo da intervenção que é melhorar o processo ensino aprendizagem, vencendo as barreiras que por ventura estejam atrapalhando nesse processo. 

    Durante o jogo é possível desenvolver habilidades que colaboram com a aprendizagem. Pois, um mesmo jogo é capaz de desenvolver diversas habilidades ao mesmo tempo. De acordo com Ide (2011),

o jogo não pode ser visto apenas como divertimento ou brincadeira para desgastar energia, pois ele favorece o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo, social e moral. Para Piaget, o jogo é a construção do conhecimento, principalmente nos períodos sensório-motor e pré-operatório. Agindo sobre os objetos, as crianças, desde pequenas, estruturam seu espaço e o seu tempo, desenvolvem a noção de causalidade, chegando à representação e, finalmente, à lógica (Ide, 2011, p. 106-107).  

    
    Mas, não é apenas as crianças que se beneficiam de jogos para a aquisição da aprendizagem, os jovens, adultos e idosos também porque são ótimos para estimular as funções executivas, assim como outras habilidades e competências. Basta escolher o jogo de acordo com a faixa etária e o objetivo que se quer atingir. 

    Todos os jogos desenvolvem o uso de regras (todo jogo tem regra e é importante segui-las), quando usado em grupo ou dupla estimula também a socialização, assim como o perder e ganhar, a autoestima, aguardar a vez e o respeito com o adversário, tópicos complicados para algumas crianças e até mesmo adultos.
 
    Por isso preparei uma relação de jogos e os benefícios que trazem nesse processo de estimulação cognitiva e psicomotora. 

Adequado para diversas faixas etárias:
  • Dominó:  É excelente para trabalhar o raciocínio lógico e aritmético, o parameamento de cores e números, a flexibilidade cognitiva, além de estimular a atenção, foco, concentração, planejamento e tomada de decisão. 
  • Quebra-cabeça: estimula a coordenação motora, percepção e orientação espacial e visual, memória, capacidade de resolução de problemas, persistência, atenção, concentração e foco. 
  • Detetive: embora seja um jogo diferente para cada faixa etária, tem os mesmos objetivos. Estimula a memória, o raciocínio lógico, flexibilidade cognitiva, a criação de estratégias para se chegar ao objetivo, a atenção, concentração e foco, desenvolve também o potencial de investigação e tomada de atitude do jogador. 
  • Jogo da velha e o XadrezEstimula o raciocínio, a lógica, estratégia, resolução de problemas, a memória, o planejamento, tomada de decisões, a prever o movimento do adversário, a formação de sequência, a flexibilidade cognitiva, atenção, concentração e foco, além de desenvolver a paciência.
  • Palavras cruzadas: Estimula a memória, a flexibilidade cognitiva, a criatividade, o raciocínio, a escrita, o vocabulário, a leitura, e alguns tabuleiros ainda trabalham operações matemáticas, pois cada espaço e letra corresponde a um valor. 
  • Stop: excelente para estimular a memória, a criatividade, a rapidez no raciocínio, a escrita, o vocabulário e a leitura, assim como a atenção e a concentração. 
  • Resta 1: é um jogo de raciocínio lógico, que auxilia no desenvolvimento da coordenação motora, lógica, raciocínio matemático, atenção e concentração, antecipação, planejamento, tomada de decisão e orientação espacial. 
  • Lego: desenvolve a criatividade, a imaginação, simbolização, percepção das cores, formas e tamanhos, categorização, além dos aspectos psicomotores como lateralidade, organização espacial, coordenação motora fina e oculomotora. 
  • Genius: estimula a memória, os reflexos, a agilidade no raciocínio, a concentração, atenção e foco, além de trabalhar as cores, o sequenciamento de cores e o tato.
  • Quem conta um conto: excelente para desenvolver a criatividade, a imaginação, a memória, a flexibilidade cognitiva, a atenção e concentração. E, é possível ir além, depois da brincadeira, pode-se pedir que os integrantes escrevam a história criada em conjunto, estimulando mais ainda a memória, assim como a escrita, a estrutura narrativa e a construção de parágrafos.
  • Trilha: estimula a estratégia, concentração, raciocínio lógico, atenção e observação.  
A partir de 8 anos:
  • Banco imobilíario: ótimo recurso para trabalhar educação financeira, operações matemáticas, foco, atenção, planejamento, flexibilidade cognitiva, tomada de decisão. Para crianças mais novas, tem o jogo: dia da mesada que tem os mesmos objetivos. 
A partir de 7 anos: 
  •  Jogo da Vida: também contribui para a educação financeira e a estimulação de funções executivas como: memória, flexibilidade cognitiva, tomada de decisões, planejamento por meio de situações cotidianas relacionadas à família, profissão e o uso adequado do dinheiro. Além de estimular a atenção, concentração e foco. 
  • Uno: desenvolve a percepção visual e auditiva, coordenação motora, atenção e concentração, memória, lógica, orientação espacial e temporal, identificação de cores, leitura, noção de números e quantidades, o reconhecimento de letras e números, o raciocínio lógico, noção de sequência, a flexibilidade cognitiva. 
  • Trunfo: desenvolve a percepção visual e auditiva, coordenação motora, atenção e concentração, memória, raciocínio lógico, leitura, noção de números e quantidades, o reconhecimento de letras e números, a noção de sequência e a flexibilidade cognitiva. 
    Existem ainda alguns jogos mais didáticos como o jogo da tabuada divertida: para trabalhar de forma lúdica a memorização da tabuada; O espião de palavras que trabalha ortografia, escrita, leitura, classificação morfológica das palavras, raciocínio, atenção e concentração; Com que letra? é um excelente jogo para trabalhar a ortografia de palavras com dígrafos, e com sons parecidos. 

    Com essa relação é possível perceber o amplo leque de possibilidades que os jogos trazem para auxiliar na aquisição e construção da aprendizagem, desvinculando da metodologia mais categórica que é praticada no ambiente escolar. O que promove no aprendente motivação, bem-estar, além de melhorar a autoestima. Por isso, a psicopedagogia costuma usar, também em suas intervenções, diferentes tipos de jogos como estratégias para atuar nas dificuldades de aprendizagem e assim promover uma aprendizagem efetiva.  

Referência:
IDE, S. O jogo e o fracasso escolar. In: KISHIMOTO, T. (Org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e educação. São Paulo: Cortez, 2011.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Metodologias ativas



De acordo com a teoria da Pirâmide da Aprendizagem de William Glasser é possível entender como o cérebro apreende as informações. Segundo ele, a porcentagem de assimilação da informação é maior quando há interação de algum modo com o conteúdo. Portanto, metodologias passivas como ler e escutar trazem menos resultado do que as metodologias ativas e interativas como debater e ensinar alguém. 

Existem vários modelos de metodologias ativas. Mas, todas permitem que o aluno seja ativo no processo ensino aprendizagem, ou seja, protagonista da sua própria aprendizagem. São exemplos desse tipo de método: A aprendizagem baseada em projetos, sala de aula invertida, trabalho em equipe, estudos de caso, exposições, mapas mentais, entre outros.

A aprendizagem baseada em projeto tem como o objetivo associar o aprender ao fazer. É baseado na construção do conhecimento de maneira coletiva a partir de questões levantadas pelo professor. É lançado um desafio, que é o próprio projeto, e como desdobramento desse processo, o conhecimento passa a ser construído de forma ativa, colaborativa e interdisciplinar. Tendo como premissa a entrega de um produto final, conjuntamente com a apresentação do projeto. O papel do professor neste caso é propor as perguntas iniciais, instigar a turma a buscar respostas, indicar caminhos a serem seguidos, mas nunca oferecer as respostas prontas. Porque o aluno é o protagonista da própria aprendizagem e parte fundamental da construção do conhecimento. Portanto, é capaz de desenvolver o senso de responsabilidade, o trabalho em equipe, a criatividade e a pesquisa. 

Já a Sala de aula invertida, é mais indicado para os alunos a partir do ensino médio, por serem mais independentes. A aula é invertida porque basicamente os papéis: aluno e professor se invertem. O professor solicita que os alunos pesquisem, estudem sobre um determinado assunto para apresentarem suas conclusões em sala para os demais da turma. Isso facilita e otimiza o tempo pois os alunos já apresentam algum conhecimento a respeito do assunto a ser tratado em aula, podendo partir para atividades mais práticas, dinamizando a aula. 

As atividades em equipe ou em dupla são muito usadas nas escolas, além de trazer o aluno para o centro do processo de aprendizagem, também estimula o desenvolvimento das habilidades socioemocionais, tais como: colaboração, empatia, escuta ativa, busca de soluções democráticas sobre o assunto em estudo, respeito às opiniões e ideias dos participantes do grupo. 

O estudo de caso é outra metodologia ativa excelente pois por meio de casos reais, o professor induz os alunos à reflexão e à busca de soluções e assim coloca em prática o conteúdo teórico apresentado anteriormente. Além de compreender como os conhecimentos adquiridos em sala de aula podem ser aplicados no "mundo real". 

As exposições também são bastante usadas em diversos anos escolares, e são excelentes metodologias capazes de compartilhar conhecimentos entre os alunos da própria turma, assim como com outras turmas e até com toda a comunidade escolar. Podem ser desenvolvidas de forma individual ou coletiva. Quando em grupo (coletiva) também estimulam as habilidades socioemocionais.  

E, por último, os mapas mentais podem ser estratégias dos professores para sintetizar o conteúdo exposto ou até mesmo para introduzir um novo assunto a fim de verificar o conhecimento prévio do aluno. Pois, todo conhecimento acontece a partir de um já existente. Esses mapas mentais podem ser feitos de forma individual ou coletiva. 



Porém, seja qual for a metodologia ativa em uso, seu objetivo será incentivar o aluno a aprender de maneira autônoma e participativa, ou seja, o estudante é responsável pela construção da sua aprendizagem. E além de desenvolver várias habilidades como autonomia, confiança, senso crítico, responsabilidade, colaboração, aptidões em resolver problemas, protagonismo e empatia; o aprendizado acontece de uma forma mais dinâmica e envolvente. 

Por isso, os professores devem sempre preparar aulas diversificadas e dinâmicas e assim aproveitar a capacidade mental dos alunos de uma forma mais eficaz, combinando metodologias ativas e passivas. 


Estilos de aprendizagem e sua importância

Que tipo de aluno você é? Cada um aprende um modo diferente, identificar e compreender seu estilo de aprendizagem pode ajudá-lo a potencializar suas práticas educativas e assim tornar o estudo mais eficiente. 

De acordo com a teoria Vark, o aluno está dividido em quatro categorias: 



👀 Visual: são bons com textos escritos,  imagens, gráficos, diagramas, vídeos e outros materiais de aprendizagem desse estilo. Também têm a tendência de representar o seu pensamento como uma maneira de relacionar as suas ideias como a dos outros. 

Dica de estudo: aulas online, vídeos, mapas mentais, figuras que representem o conteúdo (os famosos "flashcards"). Esses alunos se beneficiam de provas com interpretação de gráficos, mapas, artigos, algo que mostre o processo. 

👂 Auditivo: preferem ouvir a tomar nota. Aprendem escutando. 

Dica de estudo: podcast, vídeo aula, gravação das aulas. Esses alunos se beneficiam de provas orais ou respondendo questões de palestras por exemplo. 

📝 Leitura/ escrita: são os que aprendem melhor lendo ou escrevendo. Eles costumam anotar exatamente o que o professor diz e aprendem melhor com professores que incluem muita informação nas frases que pronunciam. Quando o conteúdo é apresentado por meio de pistas visuais, eles se beneficiam transcrevendo a informação em texto, especialmente em listas.

Dica de estudo: resumos, listas, manuais, livros, tomar nota  do que professor explica. 

👍🏻 Cinestésicos: são aqueles que necessitam de prática. Costumam fazer  anotações de acordo com seu raciocínio e não com que o professor diz em sala de aula.

Dica de estudo: exercícios de fixação, experiências, estudo em grupo. Esses alunos se beneficiam por aulas práticas e provas de múltipla escolha, complete e questões diretas. 


Entretanto, cada estudante pode combinar dois ou mais estilos mesmo que haja um predominante. O melhor é que sabendo as vantagens de cada um, o estudante pode, e deve explorar melhor cada uma delas. 

Mas, essas características são importantes também para os professores, pois devem atingir a todos os alunos e não apenas um ou outro. Então, devem planejar aulas diversificadas, assim como as avaliações também. A fim de contemplar os diferentes estilos de aprendizagem.




sábado, 6 de fevereiro de 2021

Intervenção Psicopedagógica x Reforço Escolar

  É comum a confusão entre o que é atendimento psicopedagógico e o reforço escolar. O que gera a dúvida na escolha que atenda o que se procura. 

  Primeiro, é necessário entender o que significa cada um deles para depois analisar e decidir o que se precisa naquele momento. 

 A psicopedagogia é a área que estuda e atua no processo de aprendizagem, como o sujeito aprende, seu objeto de estudo é a aprendizagem humana. Portanto, tem como objetivo investigar e identificar as origens da dificuldade ou transtorno de aprendizagem que pode ser cognitiva, comportamental ou social. Desta forma, atua desenvolvendo as habilidades e funções cognitivas necessárias para a aquisição da aprendizagem. 

   O atendimento psicopedagógico pode ser: preventivo ou interventivo, mas ambos passam pela avaliação, criação de hipóteses para então ser traçada a intervenção a fim de melhorar o processo de aprendizagem para que o aprendente tenha o tão esperado sucesso acadêmico e/ou profissional. 

  O psicopedagogo planeja sua intervenção baseada em sua avaliação prévia, e usa diferentes métodos como jogos, brincadeiras, dramatizações, assim como atividades pedagógicas, a fim de trabalhar os aspectos deficitários do aprendente.

  Devida as complexidades das dificuldades de aprendizagem, a psicopedagogia tem caráter multidisciplinar, buscando o conhecimento de diversas áreas do conhecimento, além da pedagogia e da psicologia, tais como: os fundamentos da biologia, linguística, filosofia e as ciências neurocognitivas. A junção dessas ciências forma o alicerce da prática psicopedagógica. 

    E por ela focar na aprendizagem humana, seu campo de atuação não se restringe à criança e seu contexto escolar. Pois, as dificuldades sejam elas oriundas de um transtorno ou não*, causam impactos não apenas no ambiente escolar, mas na vida social e afetiva desse sujeito em qualquer fase de sua vida. E, a psicopedagogia atuará com estratégias e avaliações distintas para cada etapa de vida: criança/adolescente - adultos/idosos. 

    A intervenção psicopedagógica clínica só pode ser realizada por profissional especializado em Psicopedagogia Clínica (Especialização lato-sensu). 

    Já o reforço escolar foca no conteúdo escolar, tem o objetivo de tirar dúvidas, auxiliar nos deveres de casa, ajudar no estudo para as provas, ou seja, reforçar os conteúdos dados na escola. É pontual. Atua apenas nos conteúdos dados na aula. 

  O professor do reforço poderá usar diferentes metodologias para sanar as dúvidas que o aluno apresenta, ou quando não há dúvidas, o professor irá ajudá-lo com as tarefas de casa e/ou com revisões para as provas. 

    Portanto, o reforço escolar não atua nas causas da dificuldade, apenas no conteúdo em que se encontra a dúvida e/ou nos deveres de casa. Ao contrário da psicopedagogia que se preocupa e atua diretamente desenvolvendo as habilidades cognitivas essenciais para a aquisição do conhecimento, proporcionando ao aprendente autonomia e consequentemente possibilidades dele acompanhar os conteúdos escolares, sem necessitar sempre do reforço como apoio, como bengala. 

    Logo, compreendida a função de cada área, é o momento de analisar criteriosamente o que você procura e deseja para finalmente optar conscientemente ou pelo tratamento psicopedagógico ou apenas pelo reforço escolar.  

    Espero que eu tenha contribuído, sanado a dúvida e auxiliado na escolha certa.

 

* leia: Dificuldade de Aprendizagem x Transtorno Específico da Aprendizagem aqui nesse blog para compreender a diferença entre dificuldade e transtorno. E, assim entender o que seria uma dificuldade oriunda de um transtorno ou não. disponível em: https://profpsicopedagogafabisa.blogspot.com/2020/12/dificuldade-de-aprendizagem-x.html 

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

A Importância da Psicomotricidade na Psicopedagogia

    Para entendermos o que é psicomotricidade, vamos começar pela origem etimológica da palavra. Psico é de origem grega e significa alma, espírito sendo atribuída ao estudo da mente humana ao se juntar com o sufixo logo. Entretanto, a palavra em questão está relacionada ao movimento: Psi: está ligado ao aspecto emocional, Co refere-se à cognição, motriz é o movimento e a força e idade é a etapa de vida de todo ser humano.  

 Então, de acordo com a Associação Brasileira de Psicomotricidade: "Psicomotricidade é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização.” 

    Ou seja, a psicomotricidade é a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Ela estuda as habilidades motoras relacionadas aos fatores psicológicos e ambientais. 

 Entretanto, a psicomotricidade não valoriza as ações motoras descontextualizadas, mas considera as habilidades e expressões corporais associadas às vivências do indivíduo em determinado ambiente, assim como também relaciona os gestos, as atitudes, as atividades, os comportamentos e as posturas das crianças. 

   Portanto, a psicomotricidade está diretamente ligada ao desenvolvimento integral do sujeito porque estuda o movimento humano associado ao ambiente, à cognição, à emoção e às significações. Ou seja, relaciona cada movimento a seu contexto. 

    Os principais elementos psicomotores fundamentais para o desenvolvimento da criança são:  esquema corporal, coordenação motora ampla e fina, lateralidade, organização espacial e temporal. 

    Mas o que significa cada elemento desse? E qual a importância para o desenvolvimento integral do ser humano?

    A imagem corporal é um componente psíquico que representa a imagem mental que o indivíduo tem de si mesmo. É resultado da interação entre percepção e concepção. Já o esquema corporal é um componente neurológico que permite ao indivíduo ter consciência dos segmentos corporais e posição que seu corpo ocupa no espaço, sendo um elemento básico indispensável para a formação da personalidade da criança. Logo, ter uma imagem corporal saudável significa que a maioria dos seus sentimentos, ideias e opiniões sobre o seu corpo e aparência são positivas, aceitando e o apreciando. Então, no momento em que o sujeito compreende  e controla seu corpo, sua consciência corporal se estrutura possibilitando a ampliação de sua relação com o meio. 

    Coordenação motora ampla está relacionada aos movimentos dos membros superiores e inferiores, muito importante para as atividades relacionadas ao ritmo, equilíbrio, assim como as percepções gerais. Já a coordenação motora fina está relacionada ao uso dos pequenos músculos das mãos e pés. Extremamente importante para desenhar, pintar, escrever, manusear pequenos objetos, pois envolve movimentos precisos e delicados.

    A lateralidade é o domínio de um lado do corpo sobre o outro. Essa dominância em um dos lados do nosso corpo representa uma maior força muscular, mais precisão e rapidez, será esse lado que sempre iniciará e executará o desenvolvimento das ações principais (OLIVEIRA, 2008).

    Organização espacial é a capacidade que o indivíduo tem de situar-se e orientar-se em relação aos objetos, às pessoas e ao seu próprio corpo em um determinado espaço. É saber localizar o que está à direita ou à esquerda; à frente ou atrás; acima ou abaixo de si, ou ainda, um objeto em relação a outro.

    E por fim, a orientação temporal é a capacidade do indivíduo em se situar em relação ao tempo: antes, durante, depois, a sucessão de acontecimentos, assim como a duração dos intervalos: longo ou curto por exemplo. 

    Então, exemplificando, para a aquisição da escrita, a criança precisa ter domínio motor para segurar o lápis, coordenar a força e velocidade, coordenação motora fina (movimento de pinça), assim como coordenação visomotora (conhecida como coordenação olho/mão, esta é a capacidade para controlar o movimento da mão, guiado pela visão) entre o lápis, o papel e as linhas, a lateralidade, assim como a orientação espacial para entender que escrevemos a partir da esquerda para direita, como também de cima para baixo.   

    Logo, com o desenvolvimento desses elementos, será mais fácil, futuramente, a aquisição da leitura, escrita, raciocínio lógico-matemático, assim como a formação de adultos socialmente inseridos, com boa autoestima e boa autoimagem. Não podemos deixar de levar em consideração que tanto a escrita quanto a leitura é um ato motor. 

    Portanto, é impossível separar a psicomotricidade da psicopedagogia, visto que ambas estão preocupadas com a aprendizagem humana. Quando a psicomotricidade não é bem desenvolvida acarretará problemas na aprendizagem. Então, o psicopedagogo psicomotricista precisa estar atento ao desenvolvimento psicomotor desse aprendente e desenvolvê-la sempre que isso for uma barreira para a efetiva aprendizagem. 


Referências:

https://psicomotricidade.com.br/sobre/o-que-e-psicomotricidade/ 

HAETINGER, Günther Max, MovimentoCuritiba: IESDE Brasil S.A, 2012.


    

sábado, 19 de dezembro de 2020

Resenha da série "Amor no Espectro"

  Uma série original da Netflix, com personagens reais pois se trata de um documentário com toques de reality show. Particularmente, não curto esse tipo de produção, mas fiquei encantada e emocionada com essa série, pena que são apenas cinco capítulos, deixou aquele gostinho de quero mais, aguçou a curiosidade em saber o que aconteceu com aquelas pessoas.

    Bem, se trata de pessoas adultas com TEA - Transtorno do Espectro Autismo- muitas diagnosticadas tardiamente, mas todas em busca de um amor, de aceitação, de independência. E aí me peguei pensando: "quem não procura por isso?" Geralmente, todo ser humano chega a uma etapa da vida que quer ser independente, quer encontrar alguém para compartilhar a vida. E com as pessoas portadoras de TEA, não é diferente. Mas, convenhamos que esse mundo amoroso não é fácil pra ninguém, nem para os chamados neurotípicos (pessoas que não estão no espectro do autismo) como também para os diagnosticados com TEA. É uma longa jornada para todos e muitas vezes cansativa e para eles não é diferente. Entretanto, precisam enfrentar alguns obstáculos característicos deste transtorno que são as dificuldades de interação social e comunicação. 

    Ao longo da série conhecemos várias pessoas, homens e mulheres, que estão no espectro, assim como suas dificuldades e potencialidades.  

    Uma das partes que mais me tocou foi a forma como eles veem o espectro na vida deles, como eles definem o transtorno do espectro autismo e como aquilo traz impactos à vida deles. A visão que eles têm do mundo, a sinceridade acima de tudo, a vontade de querer se contrapondo às dificuldades sociais oriundas do espectro também muito emociona. E com isso é possível comprovar a importância da intervenção precoce a fim de minimizar essas dificuldades. 

  A emoção não parou por aí, embora o foco fosse neles, também são apresentadas algumas famílias, assim como elas se sentem perante as dificuldades de seus filhos. Mas, é notório e muito interessante, o diferencial para aquele que tem o apoio da família, como também um acompanhamento profissional.   

    Além de acompanhar esses jovens em busca de um amor, apresenta a linda história de dois casais, como eles se completam, são independentes e se amam. Desculpa pelo spoiler, mas mostra que é nada é impossível.  

    É um misto de emoções e de muito aprendizado. Super recomendo a terapeutas, educadores, pais, melhor a todos sem exceção a assistirem e a se encantarem com esses jovens adultos tão especiais. Assistam e depois me contem o que acharam aqui nos comentários. 

      Eu estou no aguardo da segunda temporada. 


Como elaborar o PEI - Plano Educacional Individualizado?

    Início do ano letivo, momento de planejar as aula, de conhecer os alunos e claro, preparar o PEI para aqueles alunos que necessitam de u...